Saudações

A todos que viajam pela primeira vez nos tranqüilos e incomensuráveis rios da Literatura, Música e Cinema, sejam bem-vindos. Espero que gostem dos textos; alguns são textos acadêmicos, outros pura literatura, se assim considerarem o que escrevo como literatura. Pretensão à parte, desejo que sejam bem recebidos pela pena que uso nessa nova imersão em que me atiro.

sexta-feira, 11 de abril de 2008

Desacato

O ato rebelde do olhar furta o instante final,
paralisa a dor que instala o medo,
masca o fumo desgaste da garganta furia .

Passa ao lado,
olha a gilete que acena aos brados
de imponente cuidados,
rasga o medo ao acaso!!!

passe aqui perto que estou aqui em olhos
em vistas invista revista o que nã0 seja visto.
Fica assim, drenado desse jeito,
o rio poluídos não confunde as nádegas do carnaval....

sexta-feira, 14 de março de 2008

"Ânsia análoga a Ânsia"

Desgostos, atados, atravessados,
repercurtem ínfimos comentários,
tamanha rutilância hipocondríaca
que resta em parlatório desnudado.
satisfazem lauréis comedidos em faces entorpecidas,
do adocicado laudar em versos não entendidos.
farsa da palavra lingüística que o verbo hodierno não conjuga.
Ah! Déspotas da palavra não esclarecida,
românticos tupiniquins,
dadores de receitas de ego,
Amaldiço-os por não serem poesia!

segunda-feira, 10 de março de 2008

casa
caos
oca
opacavisão
facacorte
Lentopressivo

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Machado de Assis mestre da periferia

http://br.youtube.com/watch?v=oD3f2Pw2LcU

caos


Lesnoite
onos
e o tenel
L--o s-n-o :
I h
VeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeelozzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzsssssssssssszzzzzzzssssSsssszzzzzzzzzzzzzzzssssssssssssszzzzzzzzzzzzsssssssssssssszzzzzzzzzzzzsssssssssssssssssonhozzzzzzssssssssssssssssOoooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooNnnnnnnnnnnnhhhhhhhoooooooooooooooooooO.+=+=++++==++++++====+++=++@@2%%”””}]}]ººººº]]]]]]\\\\\’\\bzbzbzbzbzbzbzbzbzbzbzbzbzbzbzbzbzbzbzbzbzbzzbzbzzbbzb


Sued atnacne sodota euq manhimac erbos sa snevun.
Sossap soizav
Ohlo
Acob luza ederv
Aicam
Amac
Sacnarb snevun’ sued ahlided amu aloiv
Aus abrab acnarb mecet sodnil sojnarra
Et,selec

ego agape eros fraternos teos iudeus

deus caminha entre os homens


Deus passeia entre os homens de bicicleta,
seu rosto se esconde na sombra do meio-dia
sua face enrugada relata o absurdo dos seus atos.
Beckett desiludido no arranha-céu.

O segredo espelho dos seus olhos,
relutante, segredo confessado.
Deus olha uma vitrine esportiva,
acena a um manequim

As nuvens silenciam o sol
pardo e sombrio,
projetando árvores de agruras e mestiçagem.
Deus joga pedra no lago.

O riso debochado do palhaço,
na guilhotina da brisa,
estraçalha a carne de um gato.
Deus sorri em silêncio largo.

A menina debruçada no pátio,
espera a bala, sentada,
que corta o morro, parede, janela.
Deus chupa picolé gelado.

Rosas e pétalas em seus passos.

No nada, incomensurável vazio,
abandono e rejeição;
explode o corpo amarrado na praça.
Deus descansa na rede, em sono profundo, sussurro no gozo dos dias.


Deus está escondido na floresta.
Não quer que os homens o encontrem.
Apenas restam os seus passos pequenos
No magma das rochas.







Cada desejo deve ser contido
Oculto
Liberto de outros desejos
Os outros libertos dos outros
Liberto dos libertos
Dos outros
Desejos ocultos
Ocultos dos outros
Dos outros libertos
Dos outros
ocultos

cada palavra deve ser contida
oculta
palavra contida
de outras palavras
oculta de outras
palavras outras
outras ocultas palavras
contidas pelas palavras
palavras outras contidas
contidas palavras
ocultas outras palavras
palavras outras
contidas
outras
palavras
desejos contidos
ocultos em outras palavras
contidos desejos
em palavras ocultas
outros e outras
ocultos ocultas
desejos outros
de outras contidas
palavras
desejos
ocultos
cultos
soltos
desejos
contidos
palavras soltas
palavras ocultas












é certo que passeias
é certo que não vês
é incerto que não se sente
se sente o que é incerto
trocadilho sujo
perene escuso
largo passo amargos olhos
lerdos: letargia lenta lente rente
sente tanta gente
mente
e
pensa
que está ausente.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Encontros

O trem partiu empoeirado, palavras ficaram no nó da garganta. Um gosto de incerto invadiu-lhe o paladar. O semblante pesado ameaçava a inércia momentânea, o guarda-estação aproximou-se lentamente, escutava-se o seu respirar pesado, cansado. Atrás de si, a vasta multidão que se esvaia, acenava devorar os poucos instantes de vida. Passageiros vagavam com malas nas mãos, um forte cheiro de café adocicado zombou-lhe as narinas, descuidado espiou sobre os ombros, a plataforma avilta-se num vazio. O olhar gordo do guarda era a companhia e sombra. Declinou-se sobre o banco enferrujado, ponderou languidamente. Largou-se pesado, a sombra esboçara um aceno com algumas palavras " está tudo bem"-"posso ajudar-te?" A boca ressecou-se de repente, os lábios arroxearam numa morbidez de dar dó. Pálido, branco, esboçara uma avidez e face sem coloração, nenhum sangue ousasse passar. Não distante ali, o olho gordo expulsava para fora do globo ocular o espanto e os cuidados.
Primeiro, abriu-lhe o peitoril de camisas alvas. Segundo, limpava das barbas uma espuma lamacenta e viscosa que lhe subia goela a fora, a mancha todos os fios do bigode ralo, terceiro, decidiu pegar água com açúcar; sentiu-lhe o pulso, ousou ouvir o coração. Não era médico, fizera os primeiros socorros. A pele quase porcelana ganhava cor rubra qualquer, lívida e pequena.
A cabeça já não mais pendente para trás, nos braços corriam-lhe o sangue, ergue-se; sacudiu os braços, olhou paradamente para aquele sujeito sem expressão, chamam-no de sombra, sempre com mesuras e cuidados excessivos dos ricos passageiros dos vagões de primeira classe.
Lúcio era pequeno quando o pai o levava pela primeira vez à Estação da Luz. Ficava admirado com a estrutura, o ferro, o relógio, o ir e vir daquele povo apressado. Ficava muito tempo devorar as velhas memórias, revirando para ver se encontrava algo semelhante. O tempo agulha gira pelos seus olhos.
O vulto acenava dizendo era obrigação, que não precisava de qualquer gratificação; mas Lúcio que até então não havia entendido o desfecho da saga particular. Meteu a mão no bolso e sacou de umas poucas notas, valor miúdo em relação ao ato desferido pelo intruso na situação.
O guarda insistentemente gesticulava, fechava os olhos, girava a cabeça em uma negativa não muito convincente, todavia com a face de súbito, revela que aceitaria de bom grado qualquer que viesse.
Lúcio tirara dez notas das que fazem adulto agir como criança, mostrou para o seu anjo articular pensava consigo "quem poderá dizer que não foi um enfarto". Minha vida vale mais.
Mãos esticadas viram-se, abre um olho após o outro, quase que guiado pelo cheiro das cédulas mão esquerda após a direita, porém num instante, suspende a energia dos gestos. Reconta-as paulatinamente, decide das dez entrega-lhe duas pelas pontas dos dedos.
Pensa- "Jamais irá saber o que fazer com tanto dinheiro."
Simultaneamente, o guarda-estação, imagina trocando a boneca da filha; saindo com a mulher num domingo para um refresco no jardim da luz, levar o pequeno na Pinacoteca para ver uns quadros...

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