sábado, 17 de janeiro de 2009

Celebração ao que virá
Durante a semana fiquei pensando sobre as possíveis mudanças que uma virada de ano possa propiciar. Fico imaginando que milhares de pessoas fazem a mesma coisa: criam expectativas sobre o ano vindouro. Anseiam por transformações particulares, reformas espirituais que possam fazê-los pessoas melhores, que possam ganhar na Mega Sena. Que cessem as guerras, que os conflitos entre palestinos e israelenses sejam pacificados.
Construimos projetos para nossas vidas, fazemos promessas, há o desejo de que tenhamos as forças necessárias para cumpri-las, todavia, o que sobra dessas ilusões passageiras é o desconforto de saber que não serão cumpridos os desejos, as promessas e as expectativas para um mundo melhor.
Não quero dizer que sou um pessimista ou um cético, creiam-me, não sou um desiludido ou fracassado que atira a dor e responsabilidade nas forças do destino, mas pelo contrário do que disse antes, acredito na energia de transformação do ser humano, que é regido justamente pelo desejo de mudança, pelo sonho e pela vontade de ser o diferente, de fazer o diferente.
O Homem é aquele que se presta ao sonho, mesmo sabendo que o segredo da realização está em deixar de sonhar para construir um desenho daquilo que se quer como algo real, concreto e palpável.
O homem do século XXI desfaz-se das fábulas, das historietas, dos contos de fadas, mas torce ardentemente pela culpabilidade das"Floras". Torce pelo castigo da alma? Não, torce pelo castigo do corpo. Impera o maniqueísmo fluído das relações morais vigentes do século XIX.
Todavia, o roteirista insiste em criar um nova "utopia" na ilha da felicidade momentânea: dona de casa, submissa, acovardada pela censura social e até materna, descobre que o marido é um crapúla, cafajeste, e então, separa-se dele que cai no fosso existencial, vai amargar as profundezas do abandono, do desamor e desprezo; nada mais justo para um homem preconceituoso, amargo e violento. O último golpe salvador das linhas do roteiro novelístico vem da voz da filha, garota-mãe jovem, beirando seus quinze anos, em seguida o o namorado aproxima-se perguntando o que o pai dela fazia ali, ela, com lágrimas e um misto de sorriso diz que o pai viera se despedir. Um final feliz para o jovem casal. Final feliz que não se reproduz nas periferias urbanas de São Paulo, cidade escolhida para cenário da trama. Final feliz para os envolvidos com as tramoías de Flora contra a Donatela. O bem sempre vence, pelo menos da ficção.
Espera-se que haja uma mudança mundial, que os bancos abaixem os juros, que a esquerda seja social e humana e que não ceda à pressão do jogo econômico, que Obama seja o presidente redentor das minorias, que possivelmente não será, mas espera-se que seja. Esperamos que o nosso time seja campeão, é a esperança da torcida que se massacra e massacra os adversários na impotência de uma prece rezada ao altar do santo padroeiro.
As romarias à Aparecida do Norte servem de alento ao subjulgar das dores carnais e anímicas, mas ninguém sabe quem será o vencedor do Carnaval 2009.
Tudo embolado no balaio de gato que é tecido junto aos folguetes de artifício pagão que sucede a maior festa cristã: 25 de dezembro-Natal.
" vamos celebrar tudo isso:Eros e Tanatos"

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Saudações

A todos que viajam pela primeira vez nos tranqüilos e incomensuráveis rios da Literatura, Música e Cinema, sejam bem-vindos. Espero que gostem dos textos; alguns são textos acadêmicos, outros pura literatura, se assim considerarem o que escrevo como literatura. Pretensão à parte, desejo que sejam bem recebidos pela pena que uso nessa nova imersão em que me atiro.

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