sexta-feira, 17 de julho de 2009

Os ecologistas iriam morrer se vissem o que nós vimos nessa semana em Campos do Jordão, no Pico Itapeva, deteriorização do espaço natural, as montanhas recebendo um fluxo de turistas admirados pela beleza local, porém que beleza, pois o que foi visto foi um amontoado de caixotes, porque é o que parecem os quiosques do comércio alojados no topo do pico mais alto de Campos. Um monte de gente te oferecendo de tudo, lãs, blusas, imitações de grifes famosas, bibelôs, etc. Isso significa que a vista que seria privelegiada, ficou comprometida, não há como ver o topo, as configurações montanhosas, os vales, nem as cidades anunciadas.
O Capitalismo, ou melhor, a necessidade de sobrevivência faz com que o homem se multiplique para atender os desejos de consumo, consume-se tudo que está a volta do homem, todavia, o que se viu, foi um desejo predador, não há como apreciar a natureza, se alguns comerciantes sem escrupúlos, enxergam a visita como uma maneira de se ganhar dinheiro.
O personagem Jacinto, da novela "A cidade e as serras", morreria se fosse um ser real, o conflito de interesses entre a civilização e a natureza, faz com que o homem não perceba que está produzindo a sua própria bomba-relógio.

domingo, 29 de março de 2009

Loucura

LOUCURA
O dia amanhece, pensa-se que será um dia como outro qualquer. Sai-se de casa rumo à escola, lugar onde se trabalha arduamente, máquinas de fabricar o controle pedagógico, fabrica do controle ideológico das pequenas cabeças ávidas pela liberdade que o "estatus quo" privilegia.
O "11 de setembro" jamais será apagado das memórias ocidentais e, com certeza, será celebrado em lares mulçulmanos como o natal dos cristãos, o ressurgir de uma consciência da pós-modernidade.
Talvez o ato seja uma afronta ao modelo vingente, da segurança pedante do ocidentalismo; não que houvesse uma "belle epoque" neossecular , todavia, um soco na bárbarie invertida da cultura daqueles que podem, porque assim o são atribuídos pela mídia e pelo capital.
Um gesto de descontrole dentro do cinema ou um protesto à cultura de massa que fabrica e ressurge os "Rambos" e os "Capitães Nascimentos", dezenas de pessoas feridas e mortas, um estudante de medicina, que a princípio estudava para salvar vidas, ou talvez, desfilaria na indústria da beleza "urbanite". Um ato de loucura que é visto como um tresloucamento subjetivo e isolado dos tablóides, sem o alarde reflexivo, a não ser as leituras policianescas de domingo que clamam por justiça.
O domingo passa e a loucura, insanidade que permite o isolamente de uma razão, razão que destila outra imagem do real, segundo Kant. A loucura torna o indivíduo dono da própria consciencia, dono de uma razão que o deixa alheio aos valores da sociedade, alheio ao que socialmente é correto, moral e ético.
Para Nietzsche, a loucura aproxima o indivíduo dos deuses, aos artistas que criam em genialidade, é a consciência necessária de uma sociedade que teima em padronizar as paixões, em reprimi-las, a fala do bêbedo na praça é reveladora da hipocrisia que mascara as relações humanas, agir de maneira tresloucada em certas situações atenta para a real situação da insanidade e da bárbarie em que se encontra o homem moderno. Não somos tão diferemtes dos animais que vasculham o lixo para o alimento que sobra das mesas mais requintadas da socialite global.
Ratos que escoam pela penúria do descaso com as crianças, velhos e doentes mentais que por mais que sejam doentes, possuem um visão de mundo muito mais construída do que destruída pelos valores a eles herdados.
A loucura, segundo Nietzsche, é um plano revelador de um saber que de certo torna-se fatal, por outro lado, a loucura consiste na necessiade de revelar os instintos essenciais à sobrevivência do sujeito. Interessa, portanto, que o individo continue sendo sujeito e não objeto de uma vontade social, revela, pois, a vontade como denúncia de um sociedade controladora.
Aqueles que ousaram revelar a verdade de uma sociedade foram vistos como loucos, justamente para desfazer a crença da realidade escusa que se oculta pelo jogo de espelhos sociais.
Na novela "Watchmen" de Alan Moore, há um personagem, Rorschach, que "é um psicopata às avessas, considerado o terror do submundo e um fugitivo da justiça". Dentro dessas características, o persoangem é a consciência de uma trama que se revela absurda, mas verdadeira. Busca a verdade por trás de um crime, porém, o que encontra é uma conspiração internacional, feita pelo ex-herói Ozymandias (Adrian Veidt) para salvar o mundo da aniquilação nuclear.
Rorschach é morto após saber da verdade que atribuia os ataques às grandes cidades, como ação do Dr. Dr. Manhatan, um semi-deus, pois, nesse ínterim, os fins justificam os meios.
A voz do louco-psicopata Rorschach é a voz da verdade por trás da trama de uma busca de paz, mesmo sob a morte de milhões de pessoas. A HQ dialoga com o pensamento nietzscheano de que a loucura é uma consciência que deve em algum momento ser calada.
As novas ideias são reveladas pela fala do louco, que visualiza aquilo que está além da compreensão do homem-médio, assim foi Einstein, Galileu, Newton, Sócrates e Nietzsche, entre outros.
Não quero com isso justificar o crime "quase" como resultado da cultura imagética da arma hollywoodiana ou o atentado como sendo um ato de verdade e aceitá-lo como forma de resistência ao imperialismo americano, mas esses gestos, guardados os contextos, revelam que algo está errado na sociedade das câmeras, da internet, da comunicação imediata, que torna o cinema um veículo de verdades e ideologias, numa sociedade que aceita o sacrifício de uns em prol de outros; a cúria católica condena milhares de africanos à morte em nome da fé, do dogma.
O utopismo da fé que salva a alma e condena o corpo, como disse Ferreira Gullar em artigo na Folha de São Paulo: "Em que se baseia a razão e a loucura?" "Qual é o parâmetro de sê-lo esse ou aquele?"
A dor dos loucos não deve ser menor que a dos sóbrios! Caso seja, deixe que o esquadrão da morte resolva, pois cabe a eles fazerem o serviço sujo que a sociedade não quer ver em suas portas. " A morte do leiteiro" não mancha mais o leite das nossas crianças, bebe-se o rosa dessa conjunção lácteo-sanguínea que o amanhecer oferece. Depois dizem que o vampiro é Nosferatu.
Autor: Erivaldo dos Santos

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009


Aqui ficam as poucas impressões de um magister.

O tempo do homem passou, agora é o tempo da máquina, o homem-máquina, visível, amarrado pelas engrenagens da precisão controladora do olhar de Deus.

O relógio toca e acena o atraso dos passos.

Fico a pensar que o meu maior desejo era ter a tecnologia a mercê da minha vontade, todavia, essa vontade sucumbiu à vontade do ferro, dos dígitos decimais, que transformam a imagem num espaço virtual, não há papel, não há escrita; há um amontoado de combinações decimais que se revelam um simulacro existencial da nossa vil realidade.

O ofício de professor deixou de ser uma atividade humana, um movimento de troca de saberes, para dar lugar a busca do controle da ação pseudo-pedagógica de uma modernidade capenga.

Qual o caminho para se buscar a humanidade? Frankenstein era humano no seu tecido decomposto e putréfido, rumava perdido em busca da origem paterna, que em futuro desfecho iria saber o medo que sua imagem causava aos homens.

A rejeição do amor humano, a negação do belo da humanidade, a ausência do espaço social, fatores que viabilizam a feitura do monstro latente no homem.

O que poderia manter a criatura viva, dentro dos padrões da existência, deixaria de se , para dar lugar ao horror, à vingança, à morte.

A criatura persegue o criador até os confins da terra para retribuir um pouco do ódio e da rejeição recebida por onde passava. O desfazer do nó dramático é dado no trabalho de ficcionalizar os fatos narrados na confissão derradeira ao capitão da embarcação que também era fruto da fúria da natureza diante da inércia humana. Morto o criador, a criatura também sucumbiria!

Em Eu robô, Isac Assimov, propõe uma "Metrópolis" desprovida da sensatez, a crueldade humana passada às máquinas pelo homem. O domínio da tecnologia a serviço do ofício incalculável dos mega-bits. A revolta das máquinas contra os homens (o criador).

Nessa saga, não é apenas uma criatura híbrida, mas criaturas metálicas que coordenadas por um cerébro artificial, que resolve preservar a vida humana, exterminando-a, pois entende que a sociedade não conseguiria auto-proteger em função do teor de violência e desrespeito aos princípios da convivência.

O velho Gepeto fabrica um boneco desengonçado que recebe a dádiva do movimento e fala, assume ao passar do contato com outros seres os vícios humanos, busca incessantemente a criança dentro dele mesmo. Sofre e é enganado, faz sofrer e engana o velho Gepeto.

Mal sabe o Pinóquio, que já era humano por errar.

O conto falha ao dar à humanidade características morais impossíveis de se alcançar, mas que ao cometer erros e ter a consciência (o grilo falante era uma consciência fora do sujeito) que o alertava, demonstra que a busca pela humanidade inerente à ficção, perde-se quando nós buscamos a perfeição do controle das ações maquinárias.

Eis o novo papel da educação contemporânea: o controle, não o controle da criança, mas do docente, das práticas pedagógicas exercidas por ele.

Parece-me que o jogo do real e da ficção troca de lugar os personagens.

A nossa potência criadora está morredoura na busca do homem em ser e de tornar os outros máquinas de padronizar as crianças, de modelar as máscaras de um baile que já nasce findado!


Para que educar as crianças, se homem terá o prazer de fazê-las mais tarde em máquinas de controle deles mesmos.


O homem é o pai do homem, mas a máquina quererão ser os avós dessa paternidade.

sábado, 17 de janeiro de 2009

Celebração ao que virá
Durante a semana fiquei pensando sobre as possíveis mudanças que uma virada de ano possa propiciar. Fico imaginando que milhares de pessoas fazem a mesma coisa: criam expectativas sobre o ano vindouro. Anseiam por transformações particulares, reformas espirituais que possam fazê-los pessoas melhores, que possam ganhar na Mega Sena. Que cessem as guerras, que os conflitos entre palestinos e israelenses sejam pacificados.
Construimos projetos para nossas vidas, fazemos promessas, há o desejo de que tenhamos as forças necessárias para cumpri-las, todavia, o que sobra dessas ilusões passageiras é o desconforto de saber que não serão cumpridos os desejos, as promessas e as expectativas para um mundo melhor.
Não quero dizer que sou um pessimista ou um cético, creiam-me, não sou um desiludido ou fracassado que atira a dor e responsabilidade nas forças do destino, mas pelo contrário do que disse antes, acredito na energia de transformação do ser humano, que é regido justamente pelo desejo de mudança, pelo sonho e pela vontade de ser o diferente, de fazer o diferente.
O Homem é aquele que se presta ao sonho, mesmo sabendo que o segredo da realização está em deixar de sonhar para construir um desenho daquilo que se quer como algo real, concreto e palpável.
O homem do século XXI desfaz-se das fábulas, das historietas, dos contos de fadas, mas torce ardentemente pela culpabilidade das"Floras". Torce pelo castigo da alma? Não, torce pelo castigo do corpo. Impera o maniqueísmo fluído das relações morais vigentes do século XIX.
Todavia, o roteirista insiste em criar um nova "utopia" na ilha da felicidade momentânea: dona de casa, submissa, acovardada pela censura social e até materna, descobre que o marido é um crapúla, cafajeste, e então, separa-se dele que cai no fosso existencial, vai amargar as profundezas do abandono, do desamor e desprezo; nada mais justo para um homem preconceituoso, amargo e violento. O último golpe salvador das linhas do roteiro novelístico vem da voz da filha, garota-mãe jovem, beirando seus quinze anos, em seguida o o namorado aproxima-se perguntando o que o pai dela fazia ali, ela, com lágrimas e um misto de sorriso diz que o pai viera se despedir. Um final feliz para o jovem casal. Final feliz que não se reproduz nas periferias urbanas de São Paulo, cidade escolhida para cenário da trama. Final feliz para os envolvidos com as tramoías de Flora contra a Donatela. O bem sempre vence, pelo menos da ficção.
Espera-se que haja uma mudança mundial, que os bancos abaixem os juros, que a esquerda seja social e humana e que não ceda à pressão do jogo econômico, que Obama seja o presidente redentor das minorias, que possivelmente não será, mas espera-se que seja. Esperamos que o nosso time seja campeão, é a esperança da torcida que se massacra e massacra os adversários na impotência de uma prece rezada ao altar do santo padroeiro.
As romarias à Aparecida do Norte servem de alento ao subjulgar das dores carnais e anímicas, mas ninguém sabe quem será o vencedor do Carnaval 2009.
Tudo embolado no balaio de gato que é tecido junto aos folguetes de artifício pagão que sucede a maior festa cristã: 25 de dezembro-Natal.
" vamos celebrar tudo isso:Eros e Tanatos"

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Catarse degeneradora



A manchete mutilada
decepa a tragédia urbana.
porque Medéia esquarteja os filhos,
porque Édipo assassina Laio,
porque o destino assim o quis.

saio do palco refeito
das dores que o mundo representa
sei que isso matrix já disse,
tudo é irreal, falso, caverna-alegoria.

estanco na banca:
Mãe esquarteja enteados
isso não é grego
isso é São paulo
em palco periférico
da dor suburbana.

Amanhã me deleito
na manchete das oito
novela cômica
farsa grotesca
da inversão da barbárie.

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

reflexo

Desato o ato impreciso

vigio o marcado selo

fabrico o reles motivo

de querer estar vivo

sábado, 30 de agosto de 2008

Sesão



Tarde nuvens
fogo brasa
água corrente

medo tardio adolescente

boca aberta chuva seca

tremor febril verde vermelho
amarelo zumbido zzzzzzzzz

mosquito

a tarde se enche dessa visão

confusão maledicente

da dor que leva a gente para outro lado lá

terceira margem do rio.

Saudações

A todos que viajam pela primeira vez nos tranqüilos e incomensuráveis rios da Literatura, Música e Cinema, sejam bem-vindos. Espero que gostem dos textos; alguns são textos acadêmicos, outros pura literatura, se assim considerarem o que escrevo como literatura. Pretensão à parte, desejo que sejam bem recebidos pela pena que uso nessa nova imersão em que me atiro.

Clarice Lispector

Clarice Lispector
Prosa intimista

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Fernando Pessoa

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